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quinta-feira, 30 de abril de 2015

A Pedra

Dizem que é só uma pedra. Mas não é uma pedra qualquer. É um símbolo que representa a Austrália, mais até que a Ópera House de Sydney.

O seu tamanho faz até os mais cépticos acreditarem que os aliens são os responsáveis pela sua existência. Os aborígenes acreditam que ela é sagrada e muitos rituais foram lá feitos ao longo dos tempos.
E enquanto conduzia pelas estradas rodeadas de terra vermelha pensava se valeria mesmo a pena fazer milhares de quilómetros do meio do nada, no meio do deserto só para a ver...

Chorei quando vi "a pedra" no meio do planalto e ainda estava a quase duas horas de viagem. Como é possível aquela grandeza estar pousada ali, em pleno centro de um continente/país como a Austrália.

Estacionei o carro ao lado de muitos outros carros que esperavam o mesmo que eu. Subi para o tejadilho e esperei. Esperei por aquele que seria um dos melhores sunsets de sempre. Ficou tudo registado na minha máquina fotográfica. Mas, por mais fotografias que tirasse, nunca consegui pôr na película aquilo que os meus olhos realmente viam...

Valeram todos os milhares de quilómetros feitos.

O meu sunset no Uluru/Ayers Rock

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Os orangotangos

Enquanto vivi na Ilha do Bornéu, prometi a mim mesma que iria ver orangotangos. Estes animais seriamente em vias de extinção, só existem aqui e na ilha de Sumatra. 

Foi muito difícil arranjar alguém que nos levasse a visitar este lugar, mas num belo Domingo antes de sairmos do país lá conseguimos ir.
Sem a ajuda da nossa grande amiga Ernie não teria sido possível:)


A "quase" extinção destes animais é infelizmente e unicamente causada pelo Homem: ou porque quando os encontram na floresta fazem deles animais de estimação (quase sempre enjaulados, com péssimas condições e maus tratos à mistura), ou porque são usados para prostituição. Quando o guia nos falou sobre isto nem queríamos acreditar no que ouvíamos. As fêmeas são levadas  para bordéis, são acorrentadas, põe-lhes perucas e maquilham-nas para servirem assim os ávidos clientes que procuram algo exótico de modo a satisfazerem as suas necessidades. É chocante saber que este tipo de hábitos existem...

Este centro, sem qualquer ajuda monetária do estado, recolhe os animais que lhes são denunciados, trá-los para esta área verde, curando-lhes as mazelas e reensinando-os a ser independentes e a viver no seu habitat natural.

Demora cerca de três anos até que um orangotango consiga sobreviver sozinho, procurando comida para se alimentar diariamente. Nessa altura, o centro devolve-os à Floresta.

O centro também protege os sunbears, os famosos ursos do mel, uma vez que estes animais também são alvo de ataques.

Centenas de pessoas visitam mensalmente este centro de reabilitação (que sobrevive à custa de donativos) mas é curioso que mais de 90% dos visitantes são estrangeiros, os indonésios praticamente não conhecem este local. Celebridades como a Julia Roberts ou a Madonna já lá foram e apadrinharam um dos orangotangos!

Foi um dia espectacular e fiquei feliz de ter contribuído para esta boa causa:)
 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Welcome to the jungle!

Uma das peculiaridades de viver na ilha do Bornéu (um dos sítios mais remotos do planeta) é que basta conduzir alguns quilómetros para fora da cidade de Balikpapan para se entrar numa floresta densa onde vivem macacos, lado a lado com outros animais exóticos e tribos dignas do National Geographic!

Como esta zona não é propriamente abundante em indicações, e os mapas e GPS poucas estradas mostram, foi necessário arranjar um motorista para o dia (só os locais conhecem bem os caminhos) e um tradutor de Bahasa Indonésia para Inglês porque os motoristas não são de todo bilingues.

Posto isto, fizemo-nos à estrada! As estradas estão em péssimo estado, pelo que demoramos cerca de 3h para fazer 130km.

A primeira paragem foi na mesquita de Samarinda (ficava a caminho). Particularmente gosto bastante da arquitectura destes edifícios, vistos de longe tem sempre um grande impacto visual. Não entrei na sala de orações, mas tive de me cobrir e descalçar só para andar a tirar fotografias.

De seguida dirigimo-nos à vila de Pampang. Aqui é possível estar em contacto com indivíduos da tribo dos Dayak. Aqueles (do National Geographic) que usam brincos tão pesados que tem orelhas até ao pescoço.

Está comunidade já está habituada a lidar com turistas, mas se viajarmos quase dois dias para o interior da ilha é possível encontrar tribos no seu "habitat natural". Não é aconselhável ir até lá sem alguém que conheça e fale dialecto Dayak, pois estas tribos são conhecidas por serem "headhunters" (caçadores de cabeças), colocando depois os crânios pendurados à porta de casa!
Mesmo ficando só pela zona de turistas foi possível admirar os seus instrumentos de caça e defesa e a sua arte.

A minha pequena "grande" amiga Dayu apresentou-me aos indígenas e estivemos um pouco à conversa. Ainda há conservação de algumas tradições, como a dança ou o artesanato através das gerações mais novas.

Mas como tudo tem um senão, algumas destas pessoas foram já corrompidas pelo poder do dinheiro. A única mulher adulta que vi, exigiu-me uma quantia exorbitante de rúpias para que eu lhe pudesse tirar uma fotografia!!! E ela sim, tinha mesmo orelhas até ao pescoço, carregadinhas de argolas douradas.
Não alinhei no esquema. Se eu cobrasse dinheiro a todas as pessoas que pedem para tirar fotografias comigo aqui na Indonésia já estava rica!!!

A surpresa do dia estava reservada para o final, quando o carro saiu da estrada principal para andar cerca de uma hora em estrada de terra batida até chegarmos à floresta das florestas!
Fechando os olhos por um minuto, pude ouvir pela primeira vez os barulhos da selva: macacos a guinchar, vegetação a mexer misteriosamente, pássaros a atravessar a densa folhagem, algo a arrastar-se pelo chão....

Não era um bom sítio para se passar a noite, por isso avançamos pelo trilho em direcção à Canopy Bridge, ainda com esperança de ver um Orangotango selvagem, mas ainda não foi desta:)

Por entre árvores gigantes e lianas, eis que vemos a construção de madeira de ar muito frágil. A verdadeira ponte à Indiana Jones está estrategicamente colocada a cerca de 30 metros de altura e do topo é possível ver a copa das árvores bem de perto, assim como ter acesso a uma vista panorâmica da selva!
Suei bastante para atravessar a medíocre estrutura de madeira, mas os cabos de aço deram-me alguma confiança!

Tenho noção de que foi das coisas mais arrojadas que eu, Sra. Medricas, já fiz em toda a vida! Senti-me uma verdadeira exploradora:)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

I can see green everywhere!

É incrível a quantidade de espaços verdes que há espalhados pelas localidades. Isto só mostra uma realidade possível a que eu não estava habituada. Em Portugal, "a fome da construção" praticamente fez com os parques fossem erradicados do país. Há tão poucos, que em certas cidades (como a minha) os governantes se dão ao luxo de cobrar a entrada nestes, defendendo a protecção das espécies. 
É engraçado ver como aqui na Austrália, os parques não só são grátis, como estamos em contacto com todos os tipos de animais que há por aqui.
Já tive o prazer de ter pelicanos e araras a fazer-me companhia enquanto descansava de um passeio de bicicleta!
Todos os parques são bastante frequentados por famílias acompanhadas dos seus animais de estimação, desportistas ou babysitters e curiosamente não há caixotes do lixo de "10 em 10 metros". Só existe uma regra que é religiosamente seguida por todos: Não alimentar os animais!

Os parques estão sempre muito bem tratados, não há lixo espalhado, os animais são respeitados e o ritual de ir ao parque permite uma qualidade de vida excelente. E o bom, é que há sempre um ao virar da esquina:)