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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Os orangotangos

Enquanto vivi na Ilha do Bornéu, prometi a mim mesma que iria ver orangotangos. Estes animais seriamente em vias de extinção, só existem aqui e na ilha de Sumatra. 

Foi muito difícil arranjar alguém que nos levasse a visitar este lugar, mas num belo Domingo antes de sairmos do país lá conseguimos ir.
Sem a ajuda da nossa grande amiga Ernie não teria sido possível:)


A "quase" extinção destes animais é infelizmente e unicamente causada pelo Homem: ou porque quando os encontram na floresta fazem deles animais de estimação (quase sempre enjaulados, com péssimas condições e maus tratos à mistura), ou porque são usados para prostituição. Quando o guia nos falou sobre isto nem queríamos acreditar no que ouvíamos. As fêmeas são levadas  para bordéis, são acorrentadas, põe-lhes perucas e maquilham-nas para servirem assim os ávidos clientes que procuram algo exótico de modo a satisfazerem as suas necessidades. É chocante saber que este tipo de hábitos existem...

Este centro, sem qualquer ajuda monetária do estado, recolhe os animais que lhes são denunciados, trá-los para esta área verde, curando-lhes as mazelas e reensinando-os a ser independentes e a viver no seu habitat natural.

Demora cerca de três anos até que um orangotango consiga sobreviver sozinho, procurando comida para se alimentar diariamente. Nessa altura, o centro devolve-os à Floresta.

O centro também protege os sunbears, os famosos ursos do mel, uma vez que estes animais também são alvo de ataques.

Centenas de pessoas visitam mensalmente este centro de reabilitação (que sobrevive à custa de donativos) mas é curioso que mais de 90% dos visitantes são estrangeiros, os indonésios praticamente não conhecem este local. Celebridades como a Julia Roberts ou a Madonna já lá foram e apadrinharam um dos orangotangos!

Foi um dia espectacular e fiquei feliz de ter contribuído para esta boa causa:)
 

sábado, 3 de maio de 2014

A grande aventura em Java!

Após 1h de voo, 3h de estrada, 4h de sono (mal dormido) dentro do carro e 1h30 de jipe todo-o-terreno às quatro da madrugada montanha acima, eis o resultado deste esplêndido nascer do sol na Ilha de Java:

Vista do monte Penanjakan, sobre os vulcões (super activos) 
Bromo, Semaru e Batok, às 6h da manhã

Dos locais mais incríveis que já vi até hoje e do qual nunca tinha ouvido falar antes! 
A experiência continuou após o nascer do sol com a subida à cratera do vulcão mais fumegante, o Bromo.

Indescritível a sensação de estar "na boca do lobo" e pensar: "É agora que isto vai entrar em erupção"!
A Natureza é uma coisa incrível:)




segunda-feira, 17 de março de 2014

Welcome to the jungle!

Uma das peculiaridades de viver na ilha do Bornéu (um dos sítios mais remotos do planeta) é que basta conduzir alguns quilómetros para fora da cidade de Balikpapan para se entrar numa floresta densa onde vivem macacos, lado a lado com outros animais exóticos e tribos dignas do National Geographic!

Como esta zona não é propriamente abundante em indicações, e os mapas e GPS poucas estradas mostram, foi necessário arranjar um motorista para o dia (só os locais conhecem bem os caminhos) e um tradutor de Bahasa Indonésia para Inglês porque os motoristas não são de todo bilingues.

Posto isto, fizemo-nos à estrada! As estradas estão em péssimo estado, pelo que demoramos cerca de 3h para fazer 130km.

A primeira paragem foi na mesquita de Samarinda (ficava a caminho). Particularmente gosto bastante da arquitectura destes edifícios, vistos de longe tem sempre um grande impacto visual. Não entrei na sala de orações, mas tive de me cobrir e descalçar só para andar a tirar fotografias.

De seguida dirigimo-nos à vila de Pampang. Aqui é possível estar em contacto com indivíduos da tribo dos Dayak. Aqueles (do National Geographic) que usam brincos tão pesados que tem orelhas até ao pescoço.

Está comunidade já está habituada a lidar com turistas, mas se viajarmos quase dois dias para o interior da ilha é possível encontrar tribos no seu "habitat natural". Não é aconselhável ir até lá sem alguém que conheça e fale dialecto Dayak, pois estas tribos são conhecidas por serem "headhunters" (caçadores de cabeças), colocando depois os crânios pendurados à porta de casa!
Mesmo ficando só pela zona de turistas foi possível admirar os seus instrumentos de caça e defesa e a sua arte.

A minha pequena "grande" amiga Dayu apresentou-me aos indígenas e estivemos um pouco à conversa. Ainda há conservação de algumas tradições, como a dança ou o artesanato através das gerações mais novas.

Mas como tudo tem um senão, algumas destas pessoas foram já corrompidas pelo poder do dinheiro. A única mulher adulta que vi, exigiu-me uma quantia exorbitante de rúpias para que eu lhe pudesse tirar uma fotografia!!! E ela sim, tinha mesmo orelhas até ao pescoço, carregadinhas de argolas douradas.
Não alinhei no esquema. Se eu cobrasse dinheiro a todas as pessoas que pedem para tirar fotografias comigo aqui na Indonésia já estava rica!!!

A surpresa do dia estava reservada para o final, quando o carro saiu da estrada principal para andar cerca de uma hora em estrada de terra batida até chegarmos à floresta das florestas!
Fechando os olhos por um minuto, pude ouvir pela primeira vez os barulhos da selva: macacos a guinchar, vegetação a mexer misteriosamente, pássaros a atravessar a densa folhagem, algo a arrastar-se pelo chão....

Não era um bom sítio para se passar a noite, por isso avançamos pelo trilho em direcção à Canopy Bridge, ainda com esperança de ver um Orangotango selvagem, mas ainda não foi desta:)

Por entre árvores gigantes e lianas, eis que vemos a construção de madeira de ar muito frágil. A verdadeira ponte à Indiana Jones está estrategicamente colocada a cerca de 30 metros de altura e do topo é possível ver a copa das árvores bem de perto, assim como ter acesso a uma vista panorâmica da selva!
Suei bastante para atravessar a medíocre estrutura de madeira, mas os cabos de aço deram-me alguma confiança!

Tenho noção de que foi das coisas mais arrojadas que eu, Sra. Medricas, já fiz em toda a vida! Senti-me uma verdadeira exploradora:)

sábado, 1 de março de 2014

12

Um dos maiores prazeres da minha vida é poder partilhar todas estas aventuras com a melhor das companhias!

Telalagan , Bali - Indonésia 

Brisbane, Queensland - Austrália 

Mt. Bator, Bali - Indonésia 

Canggu, Bali - Indonésia 

Canberra, ACT - Austrália 

Perth, WA - Austrália 

Old rain forest, Kalimantan - Indonésia 

Sydney, New South Wales - Austrália 

Santuary Cove, Queensland - Austrália 

Pinnacles desert, WA - Austrália 

Mandurah, WA - Austrália 

Ubud, Bali - Indonésia 

Albany, WA - Austrália 

E sempre que se parta para outra aventura, não esquecer de aumentar o álbum de fotografias :)
28 de Fevereiro de 2014
Torres Petronas, Kuala Lumpur - Malásia 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Bananas....

...acabadinhas de apanhar do quintal!!!! 



Pena a dona da casa (indiana) as ter usado para cozinhar Caril de Banana!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Heaven is a place on Bali....

A passagem por Bali (se bem que obrigatória devido às rotas aéreas) foi estratégica. Tentei mentalizar-me do que iria encontrar quando chegasse à verdadeira Indonésia, mas mesmo assim nada me fez prever o que eu realmente encontrei. O choque foi muito, mas muito grande.

Bali está um pouco para a Indonésia como a Madeira está para Portugal. É o paraíso aqui do sítio. Escusado será dizer que os standards deles estão muito abaixo dos nossos.

No fundo, Bali foi a minha transição. O turismo impulsionou de certo modo uma mudança. Acho que até se pode dizer que Bali não é Indonésia.
A cultura balinesa é muito própria. A religião que se pratica na ilha é uma vertente do hinduísmo. Na restante Indonésia predominam (90%) os muçulmanos. O branco é sinal de poder, de dinheiro. O branco ainda é visto como um herói.

Quando se ouve falar de Bali fala-se dos resorts, fala-se das compras baratas, fala-se das massagens.
Mas ninguém fala do que eu realmente vi, e daquilo que eu vivi. Escolhi ver Bali aos olhos de uma balinesa.
Não fiquei num resort, não passei o dia a beber água de coco deitada à beira da piscina, não fiz massagens todos os dias, não andei de táxi....
Escolhi viver como eles, no meio deles!

Como eu já disse, Bali foi a transição. Foi a passagem de um mundo estranho (a Austrália) para um mundo (muito) atrasado. Atrasado em relação a tudo. Um mundo que nunca vai chegar aos pés da Europa.

Foi primeira vez que vim ao 3º mundo, onde a densidade populacional está acima de 1500 pessoas por km2, onde as chuvadas tropicais varrem o imenso lixo, onde as mulheres menstruadas não podem entrar nos templos, onde a poluição que provém do trânsito nos deixa zonzos, onde as pessoas "convivem" com ratos e baratas, onde não há autoclismos nas sanitas, onde o trânsito é um completo caos.. 

Foi também a primeira vez que estive num sítio em que os teenagers me vinham pedir para tirar fotos comigo só porque sou branca (e sobretudo alta), onde uma mota é mais prática que um carro, onde comida exótica é servida em folhas de bananeira, onde há uma infinidade de frutas que eu nunca vi/provei na vida, onde se reza a todas as horas do dia e se fazem oferendas aos deuses, onde se está melhor dentro de água do que fora, onde os animais ainda vivem no seu ambiente natural, onde ainda há lugares selvagens, longe dos olhares gananciosos dos humanos..

Bali é tudo isto e muito, muito mais...
 
 

sábado, 18 de janeiro de 2014

I'm back!

Pela primeira vez na minha vida, viajei à "backpacker", de mochila às costas. Seis meses de trabalho em Perth permitiram-me amealhar mais dinheiro do que em seis anos a trabalhar a tempo inteiro como engenheira.

A vontade de conhecer toda a Austrália aumentou muito depois de ter arranjado uma oportunidade irrecusável na Indonésia.

Sendo assim, mais uma vez deixei tudo o que tinha conquistado (nestes seis meses) e fiz-me à estrada: 25 dias de viagem por 6 estados, 8400 km percorridos em 6 tipos de transporte diferentes! 
Fiz amizades novas, iniciei-me no "couchsurfing", reencontrei amigos, dormi no carro, viajei numa carrinha sem janelas, assisti pela primeira vez na minha vida ao nascer do sol no mar, tomei banho no Pacífico, vi cidades que desde pequena tinha sonhado ver, no fundo acho que realizei um sonho antigo:)

Na hora de deixar a Austrália, fiquei com vontade de ver o "pouco" que faltou. E prometi a mim mesma que ia voltar!

Após 4 horas de viagem de avião aterrei na ilha de Bali para mais duas incríveis semanas "de férias"! 
Não fui para Bali para passar o meu tempo fechada num resort, muito pelo contrário. Fiquei a viver numa "homestay" (família com alguns quartos para alugar), aluguei uma scooter (a 3€ por dia) e percorri toda a ilha em duas semanas. 

Passei o meu primeiro Natal sem a família, mas ao mesmo tempo passei o primeiro Natal com a minha companhia de sempre, o R. :)

Ainda antes do final do ano, voei mais para norte, mas concretamente para a Ilha do Bornéu. Aqui sim, entrei na pura e profunda Indonésia. Estou a 300km da linha do Equador.

É aqui que vou passar os próximos seis meses. Sou agora a Ms. Paula, professora de química e assistente na pré-primária numa escola internacional em Balikpapan:)

Eis o que andei então a fazer nas últimas semanas:
  

 Não sei se vou parar por aqui...