quinta-feira, 5 de junho de 2014

Becoming Australian

Acabei de receber a minha carta de condução australiana! 

Além de estar apta a conduzir (à esquerda) já vou poder sair à noite sem ter de levar o meu passaporte para entrar em qualquer bar ou pub e também já vou poder comprar coisas sem que me perguntem qual o visto que tenho.

Nem acreditam como este simples cartãozinho me vai facilitar a vida! One step closer....


sábado, 3 de maio de 2014

A grande aventura em Java!

Após 1h de voo, 3h de estrada, 4h de sono (mal dormido) dentro do carro e 1h30 de jipe todo-o-terreno às quatro da madrugada montanha acima, eis o resultado deste esplêndido nascer do sol na Ilha de Java:

Vista do monte Penanjakan, sobre os vulcões (super activos) 
Bromo, Semaru e Batok, às 6h da manhã

Dos locais mais incríveis que já vi até hoje e do qual nunca tinha ouvido falar antes! 
A experiência continuou após o nascer do sol com a subida à cratera do vulcão mais fumegante, o Bromo.

Indescritível a sensação de estar "na boca do lobo" e pensar: "É agora que isto vai entrar em erupção"!
A Natureza é uma coisa incrível:)




sexta-feira, 25 de abril de 2014

Tailândia, o país das "primeiras vezes" #1 - Muay Thai

A Tailândia está a revelar-se o país das novas experiências. Estávamos em Chiang Mai há um par de horas e um folheto na rua anunciava um combate de boxe (estilo tailandês) para essa mesma noite.
Foi a primeira vez que assisti a algo do género. Cheguei ao local e parecia que estava numa actividade ilegal: beco escuro, bares cheios de prostitutas (e ladyboys também), ringue tipo jaula no centro do recinto, brancos acompanhados de bebidas alcoólicas e dealers a acenar com notas à espera de apostas...

A noite prometia! Foi com um misto de perplexidade e choque que vi os dois primeiros lutadores. Não passavam de miúdos, tinham no máximo 12 anos!
O Muay Thai é quase um "vale tudo", por isso foi duro assistir aos primeiros socos. Senti-me envergonhada de estar ali a assistir/apoiar esta barbaridade. Ao fim de 3 rounds um dos rapazinhos foi vencido por knockout e saiu do ringue todo pisado e a coxear.
Sei que eles começam cedo na vida a treinar para serem bons lutadores, mas acho que não deviam ser expostos aos olhos ávidos dos espectadores numa idade tão tenra!

Os combates seguintes já foram mais fáceis de se ver, com adultos a lutar entre si. No entanto, o impacto das pancadas era exponencialmente maior! Antes do apito inicial os lutadores seguem uns rituais de aquecimento à volta do ringue e até foi bonito de se ver:)

O combate feminino foi excelente com uma americana mais madura a vencer por knockout uma tailandesa mais certeira.

A ultima luta entre um russo e um "animal" tailandês ia acabar mal. O desgraçado soviético já tinha levado pancada em tudo que era sítio. Já havia um olho negro e sangue no nariz. Após um ataque mais forte: "Bang!" (até a mim me doeu) o russo já coxeava e já não sabia onde se meter!
No fim do segundo round disse que estava lesionado e desistiu. Acho que deve ter visto a vida dele a andar para trás!

Apesar da violência, o muay thai é um dos desportos mais populares do país e por todo o lado se vêem escolas onde se pode aprender a arte.




quinta-feira, 3 de abril de 2014

Great Ocean Road

Austrália é sinónimo de roadtrips. É um país enorme (do tamanho da Europa) e cheio de coisas diferentes de estado para estado. 
 
Já tínhamos decidido alugar um carro e percorrer grande parte do país, mas depois, assim caído do céu apareceu uma oportunidade única! No Gumtree (site do género do OLX) alguém procurava companhia para dividir as despesas do carro entre Adelaide e Melbourne.
O que nós não sabíamos é que o carro em questão era uma carrinha amarela Ford de '76 toda modificada, onde cabiam 10 pessoas e sem janelas, como se estivéssemos num Safari a ver os animais:)

Carinhosamente, chamamo-la de Yellow Magic Bus (YMB)!

A Great Ocean Road, na minha opinião devia ser feita pelo menos uma vez na vida!

É dos trajectos mais bonitos que já fiz, quase sempre à beira-mar. 

O ambiente é muito descontraído, encontram-se boas praias e boas ondas mas também florestas verdes.

Fizemos este trajecto em 5 dias, sempre a acampar e na companhia de mais pessoas. Com o Bruno (australiano e dono do bólide) vinha já em viagem o Isak da Noruega. Em Adelaide juntamo-nos nós e a Camille da Bélgica. A meio do percurso, "encontramos" um casal alemão, o Nills e a Sarah, cujo carro tinha avariado e não tinham outra maneira de chegar ao destino.


Infelizmente, o S. Pedro não foi muito nosso amigo pois tivemos tempo chuvoso a maior parte do caminho, e convém dizer que viajar sem janelas não é uma coisa muito agradável. 
Acampar também não!

Mas o saldo foi super positivo! 

Mesmo com mau tempo, foi lindo, imagino se estivesse sol!

Vimos alguns cangurus brancos, paisagens magníficas, praias de areia branca, caves com animais fossilizados, cascatas no meio de parques naturais e uma estação de comboio desactivada que dividia dois estados. 

Vimos também coalas nas árvores e uma floresta petrificada, tivemos uma avaria no nosso YMB, jantamos uma deliciosa carne de canguru e perdemo-nos de amores pela costa sul australiana.

A chegada a Melbourne (com sol) foi espectacular, a atravessarmos a ponte sobre o movimentado porto da cidade.

Era então tempo de despedidas. O Bruno seguiria para Sydney com o seu YMB, a Sarah e o Nills voltariam à Alemanha nos dias seguintes, a Camille já tinha trabalho em Melbourne. Nós e o Isak ainda nos encontramos no dia seguinte, mas também ele seguiu viagem pouco depois.

A nossa aventura iria também continuar mais tarde, mas não sem antes explorar a cidade de Melbourne ao máximo:)
Piccanninie Ponds
 
Great Ocean Road - The Razorblade

 

  
Estado de Victoria à esquerda (poste de madeira)
Estado de South Australia à direita (poste de betão)
Otway National Park
 
Great Ocean Road - 12 Apostoles
Hopetoun Falls
Coalas em estado selvagem

 
Beech Forest
Great Ocean Road perto de Apollo Bay
Bells Beach
Cangurus brancos em Bordertown
 Antiga estação de comboio em Serviceton
Naracoorte Caves

 
Great Ocean Road perto de Lorne

 
Cape Bridgewater

 
Mount Gambier
The YMB Team

segunda-feira, 17 de março de 2014

Welcome to the jungle!

Uma das peculiaridades de viver na ilha do Bornéu (um dos sítios mais remotos do planeta) é que basta conduzir alguns quilómetros para fora da cidade de Balikpapan para se entrar numa floresta densa onde vivem macacos, lado a lado com outros animais exóticos e tribos dignas do National Geographic!

Como esta zona não é propriamente abundante em indicações, e os mapas e GPS poucas estradas mostram, foi necessário arranjar um motorista para o dia (só os locais conhecem bem os caminhos) e um tradutor de Bahasa Indonésia para Inglês porque os motoristas não são de todo bilingues.

Posto isto, fizemo-nos à estrada! As estradas estão em péssimo estado, pelo que demoramos cerca de 3h para fazer 130km.

A primeira paragem foi na mesquita de Samarinda (ficava a caminho). Particularmente gosto bastante da arquitectura destes edifícios, vistos de longe tem sempre um grande impacto visual. Não entrei na sala de orações, mas tive de me cobrir e descalçar só para andar a tirar fotografias.

De seguida dirigimo-nos à vila de Pampang. Aqui é possível estar em contacto com indivíduos da tribo dos Dayak. Aqueles (do National Geographic) que usam brincos tão pesados que tem orelhas até ao pescoço.

Está comunidade já está habituada a lidar com turistas, mas se viajarmos quase dois dias para o interior da ilha é possível encontrar tribos no seu "habitat natural". Não é aconselhável ir até lá sem alguém que conheça e fale dialecto Dayak, pois estas tribos são conhecidas por serem "headhunters" (caçadores de cabeças), colocando depois os crânios pendurados à porta de casa!
Mesmo ficando só pela zona de turistas foi possível admirar os seus instrumentos de caça e defesa e a sua arte.

A minha pequena "grande" amiga Dayu apresentou-me aos indígenas e estivemos um pouco à conversa. Ainda há conservação de algumas tradições, como a dança ou o artesanato através das gerações mais novas.

Mas como tudo tem um senão, algumas destas pessoas foram já corrompidas pelo poder do dinheiro. A única mulher adulta que vi, exigiu-me uma quantia exorbitante de rúpias para que eu lhe pudesse tirar uma fotografia!!! E ela sim, tinha mesmo orelhas até ao pescoço, carregadinhas de argolas douradas.
Não alinhei no esquema. Se eu cobrasse dinheiro a todas as pessoas que pedem para tirar fotografias comigo aqui na Indonésia já estava rica!!!

A surpresa do dia estava reservada para o final, quando o carro saiu da estrada principal para andar cerca de uma hora em estrada de terra batida até chegarmos à floresta das florestas!
Fechando os olhos por um minuto, pude ouvir pela primeira vez os barulhos da selva: macacos a guinchar, vegetação a mexer misteriosamente, pássaros a atravessar a densa folhagem, algo a arrastar-se pelo chão....

Não era um bom sítio para se passar a noite, por isso avançamos pelo trilho em direcção à Canopy Bridge, ainda com esperança de ver um Orangotango selvagem, mas ainda não foi desta:)

Por entre árvores gigantes e lianas, eis que vemos a construção de madeira de ar muito frágil. A verdadeira ponte à Indiana Jones está estrategicamente colocada a cerca de 30 metros de altura e do topo é possível ver a copa das árvores bem de perto, assim como ter acesso a uma vista panorâmica da selva!
Suei bastante para atravessar a medíocre estrutura de madeira, mas os cabos de aço deram-me alguma confiança!

Tenho noção de que foi das coisas mais arrojadas que eu, Sra. Medricas, já fiz em toda a vida! Senti-me uma verdadeira exploradora:)

quinta-feira, 13 de março de 2014

À descoberta da Malásia

Se havia país que nunca me tinha passado pela cabeça visitar era a Malásia. Mas a proximidade à Indonésia era tanta que era impossível não dar lá um salto;)

A surpresa foi grande. A mentalidade das pessoas não é tão fechada como na Indonésia. É comum ver-se brancos, já não me senti uma extraterrestre como aqui em Balikpapan. Apesar de o governo declarar o país como sendo muçulmano, há mais diversidade de religiões e não é tão radical. Vêem-se algumas mulheres com hijab ou até niqab é claro, mas nota-se uma maior liberdade no que toca a à religião. Já há álcool à venda em mais restaurantes e eu pude andar "normalmente vestida" na rua sem problemas.

Kuala Lumpur, a capital, tem como maior atracção as Torres Petronas. São lindas! Era capaz de passar horas a olhar para elas:) É o edifício mais alto que já vi até hoje, e já foram as mais altas do mundo durante 10 anos!


As Batu Caves foram outro dos sítios a que me rendi:) 272 degraus e um Buda dourado de 42,7 metros de altura guardam um dos mais famosos templos hindus fora da Índia!
O templo está dentro de uma grande caverna com 400 milhões de anos. Enquanto subia os degraus, dezenas de macaquinhos passavam por mim a grande velocidade pois acabavam de roubar comida aos turistas ou porque tinham sido presenteados com bananas que comiam com grande rapidez:)

KL (como é popularmente conhecido por estas bandas) vai também ficar na minha memória por ter sido a primeira vez que andei de monorail (comboio aéreo que se desloca apenas num carril) e por ser uma cidade óptima para compras a muito bons preços. No Bukit Bintang, no Pavillion ou no KLCC as lojas das maiores marcas mundiais abundam a preços bem convidativos. 
Mais uma vez, tive uma experiência positiva de Couchsurfing (para quem não sabe o que é,  consiste em ser alojado sem pagar na casa de alguém que desconheço, apenas com o intuito de conhecer outras culturas).
Um casal do Cazaquistão, abriu-nos as portas da sua modesta casa para que pudéssemos  trocar algumas impressões sobre os nossas culturas. Ignorância minha, nada eu sabia sobre o país deles, nem eles sobre o nosso.
Fiquei surpreendida por serem muçulmanos e modernos (sem nada dessas coisas de lenços e mulheres tapadas). O sabor da comida que provamos era bastante semelhante ao nosso, (finalmente comida sem picante) e fiquei a saber que o desporto nacional dos Kazakhs é o Kokpar (jogadores a cavalo atiram entre eles uma carcaça de ovelha ou de cabra e tentam marcar golos com ela)!

E porque a Malásia ainda tinha muito para dar, apanhamos um autocarro e fomos explorar outros sítios...